As únicas referências bíblicas a Filadélfia se encontram no Apocalipse (1:11; 3:7). A cidade de Filadélfia
gozava uma localização estratégica de acesso entre os países antigos de Frígia,
Lídia e Mísia. Foi fundada pelo rei de Pérgamo, Atalo, cerca de 140 a.C. Ele
foi conhecido por sua lealdade ao seu irmão, assim dando origem ao nome da
cidade (Filadélfia significa
amor fraternal). A região produzia uvas e o povo especialmente honrava
Dionísio, o deus grego do vinho. A cidade servia como base para a divulgação do
helenismo às regiões de Lídia e Frígia. Foi localizada num vale no caminho
entre Pérgamo e Laodicéia. Filadélfia foi destruída por um terremoto em 17 d.C.
e reconstruída pelo imperador Tibério. Em alguns momentos de sua história, a
cidade recebeu nomes mostrando uma relação especial ao governo romano. Depois
de ser reconstruída, foi chamada brevemente de Neocesaréia. Atualmente, a
cidade de Alasehir fica no mesmo lugar, construída sobre as ruínas de
Filadélfia.
ANALISANDO O TEXTO BÍBLICO - Apocalípse 3.7-13
7 E ao anjo da igreja que está em
Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a
chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre:
“O Santo” – Um nome para
divindade
“Verdadeiro” - A palavra
grega para verdadeiro (alethinos) significa “verdadeiro no sentido de real, ideal,
genuíno”.
O título duplo dado a Jesus,
mostra-nos que Cristo, o Cabeça da Igreja é o expressão da Santidade absoluta e
detentor da verdade absoluta. Por possuir a verdade absoluta, ele cumprirá tudo
que diz em sua Palavra.
“a chave de Davi” – A chave é o
símbolo de Autoridade. Cristo tem completa autoridade com respeito à admissão
ou exclusão da cidade de Davi, a nova Jerusalém. Em 1.18 Jesus já tinha
declarado que Ele tinha as chaves da morte e do Hades. Assim, Ele exercita
autoridade no céu, na terra, e mesmo no reino dos mortos.
8
Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e
ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não
negaste o meu nome.
“Eu sei as tuas obras” – conf.
Comentários das cartas anteriores.
“uma porta aberta” – Em
At 14.27; 1 Co 16.9; 2 Co 2.12; Cl 4.3, encontramos o Apóstolo Paulo usando a
figura da porta relacionada à pregação do evangelho (ou a obra missionária). A
figura de uma porta aberta era familiar para os cristãos do primeiro século.
Sendo assim tudo nos leva a crer que a igreja de Filadélfia era uma igreja
missionária. Essa porta aberta nenhuma força humana ou demoníaca poderia
fechar, pois foi Aquele que tem a chave de Davi quem abriu. A Igreja de
Filadélfia tinha “pouca força”, ou
seja, era talvez uma igreja pequena e seus membros fossem na maioria da classe
mais pobre, e mesmos assim trabalharam “guardaste
a minha palavra e não negaste o meu nome” – disse o Senhor.
9
Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e
não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus
pés, e saibam que eu te amo.
“aos da sinagoga de Satanás” –
Eram os falsos Judeus que, assim como na cidade de Esmirna, levantavam grande oposição à Igreja.
Hoje esses tais “da sinagoga de Satanás” são representados pelos seus discípulos: os
falsos cristãos que permanecem no seio da Igreja causando dissensões e
espalhando rebeldia e heresias.
10 Como guardaste a palavra da minha paciência,
também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo,
para tentar os que habitam na terra.
“palavra da minha paciência”, segundo Beacon, “é a resistência paciente
de Cristo como um exemplo para permanecermos constantes”. Por terem guardado a “palavra da paciência de
Cristo”, os cristãos de Filadélfia seriam guardados da hora da tentação que
chegaria (e chegará) por ocasião do período da Grande Tribulação. Os cristãos
verdadeiros do mundo inteiro estarão no Céu enquanto o mundo estará vivendo um caos.
11 Eis que venho sem demora; guarda o que tens,
para que ninguém tome a tua coroa.
“sem demora” – O principal
significado dessa expressão é que o Senhor não atrasará a sua vinda além do
tempo fixado. Mas, uma vez que não sabemos quando isso acontecerá, devemos
estar constantemente preparados. Além disso, para o Senhor mil anos são como um
dia (2 Pe 3.8). Assim, dois mil anos ainda seriam sem demora. E Ele virá
para livrar-nos da “hora da tentação”
descrita no versículo anterior.
“guarda o que tens” – A promessa
de proteção citada no v. 10 traz consigo a necessidade de um esforço contínuo.
A coroa da vitória só será dada àquele que correr com sucesso até o fim.
12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do
meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o
nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e
também o meu novo nome.
Aquele que vencer ficará
estabelecido para sempre na cidade celestial, no templo de Deus. Assim como uma
coluna fica estabelecida, os vencedores estarão estabelecidos para sempre sem
correrem o risco de caíres ou de serem removidos do seu estado de glória.
O vencedor recebe aqui três
promessas:
1ª) Consagração completa a Deus: o nome do meu Deus
2ª) Cidadania intransferível na cidade
celestial: o nome da cidade do meu Deus
3ª) Conhecimento mais completo de
Cristo na Segunda Vinda: meu novo nome
13 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às
igrejas.
“ouça”- Significa “preste
atenção”. Jamais alcançaremos vitória se negligenciamos a voz do Espírito Santo
de Deus.
VOCABULÁRIO:
Helenismo: Termo que designa tradicionalmente o
período histórico e cultural durante o qual a civilização grega se difundiu no
mundo mediterrânico, euro-asiático e no Oriente, fundindo-se com a cultura
local.
BIBLIOGRAFIA:
1) Bíblia Sagrada versão ARC
2) Comentário Bíblico BEACON
3) Dicionário Bíblico
wycliffe - CPAD
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